quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Louca

Não nos apaixonamos no primeiro beijo.
Foi na primeira vez que ouvimos nossos nomes.
Ouvi seu nome e apaixonei.
Não sabia quem era,
Não sabia qual era a sua feição.
Não precisava saber.
Sabia que era você.
Quando nos beijamos a primeira vez
Só soubemos que seria estarrecedor.
Arrepiante, sufocante, brilhante.
O beijo só veio nos mostrar o quanto era para ser.
Os beijos seguintes trouxeram a mensagem que seria bom
Por todo tempo que durasse.
O tempo que durou foi relativo.
Muito, para quem não conseguia respirar.
Pouco, para quem queria viver no limite.
E eu só queria perder o controle mais uma vez.
Só mais um beijo
Para eu me descontrolar,
Perder o rumo
E nunca mais conseguir voltar
A quem eu era antes...
Antes de saber seu nome.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Coração Quente

Adoro ver você andando, de costas.
O seu jogo de pernas, o seu movimento.
Gosto de te ver dormindo.
Começa com os lábios cerrados e vai abrindo aos poucos,
Quando passa a respirar profundamente.
Gosto do seu cansaço, dos seus olhos inchados.
Da voz baixa, turva,
E do cheiro da sua nuca quando acorda.
Gosto do seu gosto
E do cheiro da sua saliva.
Amo te ver tomar banho.
Como baila embaixo da água,
Buscando manter todo o seu corpo coberto de água quente.
Adoro ver como você lava seus cabelos,
Mexendo neles como se valessem ouro,
Como se salvassem vidas.
Gosto de deixar a porta do banheiro entreaberta,
Sentir o seu vapor e o seu aroma deitada na cama.
Mas o que me apaixona é sentir a sua mão me puxando para perto

Todos os dias, quando tento me levantar e te deixar para trás.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Dessas


Sou dessas que você saberá todos os meus planos,
Daqui até 2040.
Sem máscaras, sem mentiras.
Todos os meus planos.
Dessas que você comerá a minha comida preferida
E sentirá o meu gosto em cada migalha.
Do tipo que quando bater aquele vento com cheiro de Natal,
Em dezembro, você me sentirá entrando pelas suas vias aéreas.
Sou dessas que os fios de algodão do lençol
Farão você sentir a minha pele.
Eu sou bem do tipo que vai te contar os mínimos detalhes do meu dia,
E o quanto você fez falta nele.
Todo dia. Toda hora. Para sempre. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Coração de Cera

Eu prefiro mil vezes que me dê um tapa na cara
E diga que me odeia
Do que me cozinhar em banho-maria
Sem eu nunca saber seu real sentimento.
Sua letargia lúcida é irritante
Ao ponto de eu apenas me imaginar
 Passando o braço em volta do seu pescoço
E torcendo-o até sua 'letargia mórbida completa'.
De que vale a vida sem as emoções?
De que vale a vida sem o choro de tristeza
Ou a angustia da saudade?
Vale o mesmo que a vida sem os sorrisos dos reencontros
E a taquicardia da emoção.
Nada.
Até mesmo a pele queimando com o fogo é válido,
Desde que não seja suicídio.
Se eu quisesse a inércia
Viveria em um museu de cera.
Mas eu quero o seu arrepio,
Mesmo que seja de frio.
Apenas para saber que você sente.
Sente qualquer coisa.
Sente raiva,
Sente saudades,
Sente medo.
E se a vida é uma só e a chance é essa
Por que passar o resto dos anos como Michael Jackson
No Madame Tussauds?
Nietzsche disse: 
“Aquele que tem um porquê para viver pode enfrentar quase todos os cosmos”.
Bem-vindo, meu maior Big Bang.
E o ponto de tudo isso é que se eu fosse embora hoje, para sempre
Seu nome seria a última coisa que eu diria.
Por que o que é o amor,
Senão uma piada mal contada,
Uma história mal interpretada
E ainda assim,
O que mais nos faz sorrir?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Arde

O que eu sou senão água, ar,
Fogo e terra?
Nada além de paixão,
Calor e frio.
O que poderia ser senão sensações?
Nada.
Variações de sentimentos,
De temperatura,
De pensamentos.
O que sou senão amor?
Apenas amor.
Eu sou apenas o que a vida é.
Um pouco de tudo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Por dentro

Comprei um apartamento novo.
É lindo, novinho.
Na verdade, o antigo dono comprou o apartamento do lado,
Quebrou as paredes e fez de dois, um.
Assim, aqui moro eu.
A pintura das paredes e teto é verdinha,
Calma, límpida.
Meio verde mar, meio verde esmeralda.
Tenho um vitral Tiffany na minha janela.
Vejo o mundo todo por esse prisma.
Ainda não comprei a mobília,
Mas o apartamento não dá eco.
É preenchido de memórias
E saudades que trago comigo.
O único problema é o vizinho de cima,
Barulhento que só!
Tenho a impressão que ele não para nunca!
Anda para lá, anda para cá.
Fala, fala alto, grita.
Durante as noites, não dorme.
Deve ficar amargurando o passado,
Tecendo pesadelos.
Não aquieta, não acalma.
Agora, moro aqui.
Dentro dos seus olhos.
Só peço mais silêncio do seu cérebro, por favor.
Pare de pensar, ouça seu coração.
Silencie suas razões.
Quero viver a paz do seu olhar.