quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Vem

Eu te quero para ser um pouco de você,
E ver meu reflexo nos seus olhos.
Te quero para ficar de moletom no sofá ao seu lado,
Para derrubar molho na mesa sem vergonha.
Eu te quero para não ter problemas
De abrir uma garrafa de vinho,
Para rolar na cama a manhã inteira
Sem ter vergonha da minha preguiça.
Eu penso que te quero para tirar minhas lentes
E vestir meus óculos assim que eu chegar em casa,
Sem fazer tipo.
Eu te quero para ter quem me espere na manicure,
Te quero para saber com sinceridade
Se meu corte de cabelo novo está bom.
Eu só te quero para ter com quem raspar
A panela do brigadeiro.
Assim, te quero para brigar pelo edredon todas as noites.
E quanto eu te quero é para a gente conhecer mais ao outro
Do que a nós mesmos,
Para desfazer as amarras, as máscaras
E viver com o outro melhor do que vivemos sós.
Eu te quero para comer peixe enquanto você come carne.
Para encher meu prato de salada
Enquanto você já está na sobremesa.
Te quero para me ajudar com a louça suja,
Para me ajudar a bagunçar a cama.
Quanto eu te quero é para poder chorar de TPM
E ter minha incompreensão entendida,
Para ter uma bolsa de água quente para aliviar as cólicas
Mesmo sem pedir.
Por um copo de coca-cola gelado na hora do meu remédio.
Eu te quero porque você sabe exatamente
Qual sabonete levar pra casa,
E por você estender a toalha molhada.
Eu te quero para segurar minha mão suada
Na fila da montanha-russa.
Te quero porque você diz que eu sou sempre melhor
Com dois quilos a mais,
E porque não reclama quando eu digo todos os dias
Que preciso emagrecer.
Eu te quero por uma vida simples,
Por uma intimidade sem medidas
E por você ser o maior e melhor espelho da minha alma.
Eu te quero por me achar esperta de te amar racionalmente,
E por você me mostrar que é a maior das minhas paixões.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

À sombra de Ipês

Deve ser frio aí.
Acredito que seja meio úmido.
Não sei se você ouve sons,
Se você acompanha as notícias.
Não tenho informações se tem sinal de Blackberry.

Será que você come aí? Tem água? Suco?
Vinho eu sei que não tem.
Se tiver macarrão a bolonhesa, peça.

Hoje fez sol, sabia?
Acho que daí você não vê a cor do dia.
O dólar caiu.
A Dilma ainda está no Palácio do Planalto.
Palocci caiu.
Eu continuo trabalhando de segunda à sexta.
Lula não tem um dedo, ainda.

Levou seu iPod consigo?
Tem música? Escuta alguma?
E os vizinhos, dá pra ver suas casas?
A vida aqui segue em frente.

Quando seu nariz coça, você consegue coçá-lo?
Tem espaço para mover os braços?
Acredito que você não troque mais de roupa,
Que seu cabelo esteja comprido,
Que sua voz continue rouca, mas menos ativa.

Não pretendia te atrofiar inteiro,
Te juro.
Não quis te enclausurar num buraco pequeno,
E não programei que ele fosse tão baixo,
Tão embaixo.

Espero que um dia você me desculpe
Por te enterrar vivo.
Mas, acredite, é melhor você viver morto,
Do que se fingir de vivo.

Transformer(-se)

E minha cabeça aprendeu a ser pragmática,
Ao ponto de se perguntar de minuto em minuto:
"Como podem os Autobots serem tão sentimentais?".

segunda-feira, 27 de junho de 2011

sábado, 25 de junho de 2011

Saudades

É injusto você estraçalhar meu coração assim.
Não tenho culpa dos seus dissabores,
Das suas decepções,
Das necessidades que não foram atendidas.

Não fui eu quem te machucou, quem te calejou.
Infelizmente, não estava lá quando isso aconteceu,
Mas estou aqui para colar os pedaços do seu coração,
Outrora escangalhado.

Seu ontem, massacrado,
Nada posso fazer.
Seu amanhã, não posso garantir.
Mas seu hoje pode ser claro e colorido
Como a Times Square.

Eu não tenho culpa dos seus traumas,
Mas posso fazê-los cicatrizar.

Não era eu quem te deixava para trás,
Para dar atenção à carreira.
Mas, garanto que hoje largo meu trabalho e meus anseios,
Por você.

Naquele tempo, não era eu quem te expunha à vergonha,
Ao público, escancarando uma dolorida realidade da sua vida.
Mas, hoje sou eu quem te esconde de todo mal
Dentro do meu amor.
Sou eu quem te encobre do mundo,
Te fazendo viver somente dentro de mim.

O seu coração, não sei mais se bate.
Sua vida, não sei mais se deixou de existir.
Não sei mais se tem sangue a sua carne.
Mas, da sua garganta, sei que algo tem de sair.

Suas mágoas mais profundas, não fui eu quem causou.
As suas vergonhas, não fui eu quem descobriu.
Mas, comigo, trago band-aind e uma roupa bem passada.

Minha vida bate vazia.
Meu coração, você arrancou e pisou em cima
Feito um despertador velho e irritante
Que teima em tocar seus sinos ensurdecedores
No meio de uma noite de sono profundo.

No lugar dele, coloquei uma lâmpada.
Não tenho mais amor em mim.
Troquei por uma luz que me faz lembrar a cada minuto
Que, viva ou morta,
Que com você vivo ou morto,
Eu sempre serei iluminada pela esperança
De que você descubra que eu não tive culpa de nada,
Mas que eu posso ser a cura de tudo.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Hominis Excidium

A dica que eu dou, hoje, nesse momento,
É que se um dia um amor como esse aparecer na sua vida
E você não tiver a chance de resolvê-lo, mate-o.
Cometa feliz o maior homicídio da sua vida,
E fique tranquilo porque o júri vai te absolver.
Só alegue legítima defesa, por favor.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sol

Você, de volta aqui.
Eu, voltando até aí.
Dessa vez, não congelo de saudades.
Agora, derreto de paixão.