terça-feira, 22 de junho de 2010

E quando, e quando - 19/02/2007

Quando você me olha,

Sou cristal.

Quando você me toca,

Sou cetim.

Quando você me fala,

Sou poesia.

Quando você me chama,

Sou música.

Quando você me pega,

Sou vento.

Quando você me abraça,

Sou tremor.

Quando você me quer,

Sou sua.

Quando você me beija,

Sou sua.

Quando você me ama,

Sou tudo.

Pra perto de mim - 17/02/2007

E no caminho, nuvens.

Esse sentimento estranho, forte.

Tem gosto de pimenta e cheiro de almíscar.

Cor de fogo e aparência de rocha.

Jeito de menina e força de homem.

Forma de sol e aspecto de espaço.

Tamanho de infinito e cabe aqui.



E no caminho, fumaça.

Esse aperto ríspido.

Tem jeito de passageiro e marca como ferro.

Dói como faca e machuca como pluma.

Entristece como perda e passa como rio.



E nas pedras, caminho.

Esse beijo que corta.

Tem gosto de chocolate e efeito de morfina.

Tem força de maré e vem como tempestade.

Tem cheiro de luar e parece um raio.

Me faz sentir no paraíso e estou perto do inferno da saudade.



E na vida, efeitos.

Esse abraço pesado.

Tem jeito de chegada e é uma partida.

Tem força de uma bomba e acalma como camomila.

Tem cara de amizade e é amor.

É tudo que eu queria pra sempre.

Só tenho por instantes de toda uma vida

Sim - 15/02/2007

Talvez, quem sabe. Talvez um dia eu volte.

Talvez eu fale de nós dois. Talvez eu lhe dê aquele abraço que estremece nossas pernas.

Talvez eu vá para o quarto escuro. Talvez apenas algumas palavras.

Talvez, muito incertamente. Quem sabe eu mude de idéia, talvez.

Talvez eu ainda goste, talvez eu ainda sinta. Talvez eu ainda ame.

Talvez a dor que sinto é na alma. Talvez a dor física seja menor do que o carinho que necessito.

Talvez eu sorria pra você. Talvez a gente vai se encontrar no pôr-do-sol. Talvez eu não desanime.

Quem sabe eu consigo olhar nos seus olhos de novo. Talvez eu ainda possa te sentir. Talvez eu ainda queira isso.

Talvez apenas aquele beijo que cala o choro. Aquele beijo que cala a agonia. Talvez o corpo que eu tanto desejei. Quem sabe, talvez.

Talvez aquela música que sai do seu corpo quando te beijo. Talvez o cheiro que sai da sua pele. Talvez aquele banho. Quem sabe não sou boa pra você.

Talvez a ausência apenas me ensina. Talvez a ausência apenas te afasta. Talvez você sofra por isso.

Quem sabe são apenas devaneios. Quem sabe são apenas delírios. Talvez. São.

Talvez a tragédia seja apenas a distância. Distância que faz o corpo adoecer, e a alma se acostumar. Talvez a vida tenha nos escolhido na vida errada. Talvez seja na próxima.

Talvez eu possa te ver de novo, de longe. Talvez meus olhos não fujam dos seus. Talvez seu cheiro preencha todo o espaço que deixei pra você em meu corpo. Talvez a sua voz comande todos os meus gestos. Talvez eu seja só sua.

Quem sabe, talvez. Talvez eu esteja enganada. Talvez seu gosto não seja esse, assim. Talvez seja mais desgostoso. Talvez eu esteja cometendo um grande erro.

Talvez eu não goste de você. Talvez eu não te ame. Talvez eu esteja louca. Deus queira que não. Mas, quem sabe?! Talvez.

Por que eles? - 11/02/2007

Há vários tipos de homens. Na verdade, inúmeros, mas calculáveis.

Há os homens à moda antiga. Vão aos poucos, se apaixonam pela mulher, cortejam, flertam e se aproximam, já cheios de amor pra dar. Procuram sempre moças super educadas e de costumes pequenos. Dão flores, abrem a porta do carro, ligam pra dar boa noite, dizem que amam sempre antes de desligar o telefone.

Há aqueles homens que a beleza importa mais do que a inteligência em uma mulher. São do tipo “cala a boca e me beija”. Não costumam levar as “namoradas” pra jantar porque senão elas falam demais. Geralmente vão nas baladas, se divertem, terminam a noite em algum lugar e ele liga sempre depois de quatro dias, mais exatamente na quinta-feira, já pra marcar a próxima curtição. Não dão flores, não abrem a porta do carro, ligam de vez em quando sem ser de quinta-feira e mandam beijo antes de desligar.

Há aqueles que não pedem em namoro, a relação amadurece. Eles começam ficando, saem pra jantar, pra dançar, vão ao cinema e depois de alguns dias levam a mulher em sua casa pra ver um filme, e acabam apresentando pra família. Geralmente são carinhosos, atenciosos, mas também independentes. Gostam de ter um dia pra sair com os amigos, falar besteiras e beber. Dão flores nas datas comemorativas do casal e aniversário, não abrem a porta do carro, ligam pra dar boa noite depois de uma noite especial e falam que amam depois de uns 6 meses de relação. Antes disso só “te adoro”.

Há uns homens que quando se apaixonam, se cegam para o mundo. Conhecem a mulher e resolvem investir nela de primeira. Depois de uma conversa, pegam o telefone dela, ligam a noite ou de madrugada pra um papo conquistador sobre amenidades da vida. Adoram ir ao restaurante japonês ou tailandês. Adoram ficar em casa com ela tomando um bom vinho tinto seco, com velas acesas e fazem um clima todo romântico. Falam ao pé do ouvido palavras que arrepiam. Fazem planos sobre casamento e filhos sem que ela saiba das vontades dele. Dão flores sempre que passam em uma floricultura e vêem uma espécie diferente e colorida. Além das datas especiais. Abrem a porta do carro e dirigem com a mão na perna dela. Ligam pra dar boa noite e ligam pra dar bom dia. Falam sempre que a ama durante o dia e principalmente depois do sexo.

Há um tipo de homem que se ama acima de tudo. Ele vê as mulheres como objetos e as fazem descartáveis. São baladeiros, fazem academia 6 vezes por semana e tomam anabolizantes. São bombados e algumas vezes são bonitos, mas na maioria são só inchados. Tem sempre um carro novo e esportivo e o som do carro é cheio de botões coloridos, além de ter super caixas de som que arrebentam as janelas. Não abrem a porta do carro porque não pegam as mulheres em casa. Não dão flores, nem para as mães. Nunca ligam, só mandam recado no msn e no orkut e só falam que amam a eles próprios.

Há aqueles também que são perfeitos, mas são seus amigos. Adoram uma conversa num bar no final de tarde. Te ligam sempre que você tem qualquer resfriado. São bonitos e atenciosos. Respeitam as mulheres e sempre te contam sobre como fazem as mulheres se sentirem rainhas, mas são seus melhores amigos e um amor pode estragar a amizade. Mandam flores no seu aniversário. Abrem a porta do carro pras amigas. Sempre te ligam quando percebem que você está chateada e falam que te adora pra você se sentir menos triste pelo fora que tomou na noite anterior.

Há uns homens que se divertem com jogos, onde você é a peça principal. Eles gostam de você, adoram a sua companhia, mas sabe lá Deus porque, jogam com seus sentimentos. Talvez o problema deles seja a falta de confiança. Eles são audaciosos, jogam muita coisa pro ar para estar com você e fazem você pensar que é importante na vida deles. Mas basta uma noite pra eles sumirem sem dar explicação. Depois voltam com a cara mais lavada do mundo e te convence com um papo estranho, mas você cai e sai com ele de novo. Não dão flores porque não chegam a esse estágio do relacionamento. Não abrem a porta do carro porque é sempre você que sai de carro. Ligam pra dar boa noite quando você vai embora da casa deles. Dizem que te adoram para pedir desculpas pelo sumiço, mas no fundo eles gostam mesmo, mas tem medo de assumir esse sentimento tão tenebroso pra eles.

E há aqueles que são todos em um só. Não prestam e prestam ao mesmo tempo, depende do clima do dia. Surtam e dizem que te ama e de repente não amam mais. São descolados e têm costumes cristãos. São adoráveis e odiáveis tanto quanto todos os outros, afinal todos os homens são seres estranhos, de humor mutável e que conseguem tirar qualquer mulher do sério em uma fração de segundo, mas mesmo assim, não vivemos sem eles.

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Me calo.

Se me calo é porque disse demais.

Disse demais quando olhei e meus olhos não mantiveram o silêncio que impus a eles.

Demais quando beijei, demais quando pedi, demais quando fui.

Me calo hoje porque meu ontem me assustou. Me calo hoje pra não destruir o amanhã que pode ser feliz.

Me calo para não deixar que a razão seja passada pra trás, mais uma vez. Para que não cometa mais o mesmo erro.

Erro de nós dois.

Melhor me calar. Melhor não falar que sinto tudo isso. Porque disse demais quando senti você por perto e meu corpo reagiu. Disse demais quando não quis ir embora, e fui.

Me calo porque sinto a dor de não saber o que vou ouvir quando falar. Calo pra não me assustar com o silêncio. Silêncio que eu odeio.

Disse demais e me calo, já que não ouço nada desde que você se foi.

Foi e não voltou. Foi, mas está perto. Foi, mas não queria ir. Foi e também sofre. Foi e me quer.

Me calo porque ouço os desejos. Os meus.

Se me calo é porque sinto o peso no peito. Não sei por que o peso, mas pesa.

Hoje me calo, porque se falar me salvo desse mundo, e não sei se é isso que quero.

Não sei se faz bem deixar esse mundo, então me calo.

Me calo porque sei que é passageiro, mais uma vez, e que meu silêncio me cura disso tudo.

Sei que me calo. Sei que vai passar. Bastam apenas alguns minutos do meu silêncio.

Não sei se é belo, ou apenas um belo desastre.

Três Marias - 24/01/2007

Pediram que eu olhasse o céu. Olhei. Busquei estrelas.

Enrolada no cobertor,

Com as pernas trêmulas e geladas.

Descobertas.

O vento frio batendo no meu queixo,

E a cabeça acomodada nas voltas do cobertor.

Busquei todas as estrelas que eu conheço.

E “os” estrelas também.

De um lado, elas.

Do outro, uma cidade do alto.

Nunca havia reaparado.

O cheiro da noite estava bom,

E as nuvens passeavam por ele.

Aquilo me fez lembrar quando eu fazia isso sozinha,

E tinha medo.

Sonhava com hoje.

Tinha medo da escuridão. Da solidão da noite.

Do silêncio que poderia me assutar a qualquer momento.

E eu corria pra dentro de casa,

Com o coração disparado.

Corria pra casa, com pressa, com medo.

Das incertezas do céu.

Simplesmente me fez feliz,

Me fez bem.

Aquele frio.

Meia noite e vinte - 07/01/2007

Não sei. Cansei.

Das mesmas coisas e daquelas que quase nunca faço.

Não sei o motivo. Cansei.

Troquei. Deixei as lentes de lado. Prefiro minhas armações. Vermelha e uma preta, com strass.

Quem sabe há vida útil na madrugada. Sim, há. Espero não ter envelhecido, já que deixei a gelada pra lá.

Vida inteligente na madrugada que não sejam as poesias dela? Sim!

Parece que o mundo deu mais voltas do que deveria e que se criou uma quinta estação.

Algumas coisas mudaram rapidamente, e ninguém percebeu.

Percebemos só as conseqüências e adoramos tudo isso. Todas juntas.

Esse período de seis horas tem me trazido boas coisas, sabe?!

Sempre gostei de andar na rua nessa hora, mas pouco fiz.

As conversas são sempre mais gostosas e rentáveis. A vida parece ter mais valor diante das coisas?

Quando todos dormem?

O calor é menor e o frio é maior, porque as coisas são mais intensas. A vida é mais feliz.

A lua brilha como nunca. As estrelas se exibem. E sempre tem uma varanda pra tudo isso.

As surpresas são maiores e melhores. E os ensinamentos mais profundos, porque aprendemos sem querer, por diversão ou distração.

Cansei, mas estou adorando mudar por cansar.

Disseram que 2007 era O Ano. Tem sido. Muito mais ano que o ano que passou.

Talvez porque tenho vivido nesse período de seis horas, todo esse tempo.

Tenho vivido mais e tenho sido mais feliz.

Não sei. Cansei de cansar. Cansar, cansa. E cansar cansa e faz gastar energia por cansar, e mais energia pra mudar pra não cansar de cansar de novo. Ai...

Chega de escrever. Cansei...